Indústria química se une à de petróleo e carvão para bombardear políticas contra o aquecimento global

O Guardian online publica uma interessante reportagem destrinchando os esforços subterrâneos da indústria química para bloquear a agenda ambiental do governo Obama, especialmente no que se refere ao combate ao aquecimento global. Desta vez, é a indústria de origem belga Solvay que é exposta ao se esconder atrás de um grupo não governamental chamada Coalition for Responsible Regulation Inc (CRR).

O grupo foi criado em novembro de 2009, um dia depois que os cientistas da Agência de Proteção Ambiental americana (EPA) determinaram publicamente que os gases de efeito estufa são um perigo público. Desde então a CRR se juntou a vários estados americanos e outros grupos indústrias em 17 ações na justiça questionando a autoridade da EPA. A preocupação neste caso é que a existência e atuação da CRR seria uma prova de que a resistência à agenda ambiental da administração Obama estaria se ampliando dos opositores tradicionais – indústria do petróleo e carvão – para setores novos, como o químico.

É difícil saber quem realmente está por trás da Coalizão, já que a entidade se recusa a tornar públicos os dados de seus membros e apoiadores e sequer conta com um website. Mas o nome do grupo apareceu quase como do nada para se tornar um lobista importante. Documentos obtidos junto à justiça do Texas indicam que o presidente da Solvay nos Estados Unidos é um dos membros da diretoria da CRR.

A blitzkrieg contra a agenda ambiental de Obama inclui um trabalho fortíssimo para desacreditar a ciência por detrás do aquecimento global. Nos Estados Unidos esta estratégia reúne lobistas, grupos industriais, principalmente vinculados aos temas de óleo e carvão, associações de “cientistas céticos”, pelo menos 15 estados, parcelas expressivas do Partido Republicano e da imprensa conservadora.

Discurso e prática

A própria reportagem do Guardian chama a atenção para a contradição entre a ação subterrânea de lobby aparentemente apoiada pela Solvay e seus compromissos de sustentabilidade expressos no website institucional: “Nós nos com comprometemos a tomar em conta, de forma que seja abrangente e integrada em todas as nossas atividades, a demanda tripla pela sustentabilidade econômica, social e ambiental.”.

Um representante do Greenpeace explica que um dos interesses da Solvay em combater os esforços de combate ao aquecimento global residiria no fato de que a empresa produz compostos químicos como o hexafluoreto de enxofre (SF6), utilizado em limpeza industrial, mas que é um gás de efeito estufa extremamente potente. Cada quilo de SF6 produz um efeito de aquecimento da atmosfera equivalente a cerca de 24 mil kg de dióxido de carbono. Não por coincidência, a EPA havia proposto no ano passado começar a regulamentar o SF6.

Um porta-voz da filial americana da Solvay nega a relação da empresa com a CRR. Mas a verdade é que a ação de grupos de lobby como o CRR, que atuam de maneira a esconder os agentes que estão por trás do seu financiamento e atuação, mostram como o discurso público da sustentabilidade ainda está longe da realidade, interesses e modo de atuação real de determinadas indústrias. Especialmente daquelas que atuam nos setores que impactam de maneira imediata e perene no meio ambiente e sociedade, como a indústria de petróleo, carvão e a química.

A reportagem completa do Guardian pode ser lida aqui.

Os compromissos da Solvay com a sustentabilidade podem ser revistos aqui.

O documento em formato PDF apresentado pela CRR frente à EPA pedindo a reconsideração da decisão tomada pela entidade governamental de considerar os gases de efeito estufa como perigosos pode ser baixado aqui. Uma leitura muito instrutiva porque é praticamente um bestialógico das argumentações cientificas e políticas esgrimidas pelos grupos conservadores e “cientistas céticos” .

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