Marina e Dilma no segundo turno: oportunidade histórica de falar sobre o Brasil que queremos

Marina Silva

Marina Silva - foto de: Cacá Meirelles

Vamos sonhar um pouco? É bom para alimentar a alma nestes tempos de brutalidade verbal, embaralhamento ideológico  e ódio classista que contamina o processo político. Então, vamos lá: que tal um segundo turno entre a Dilma e a Marina? Até ontem esta hipótese  era impensável, mas há alguns indicadores de uma “maré verde”, por enquanto mais parecida com uma marola, vindo por aí. Até o momento isto parece não ser suficiente para levar a candidata do PV a ultrapassar o José Serra e disputar com a Dilma a presidência. Pelo tempo que falta para o primeiro turno, será necessário um verdadeiro “tsunami verde”. Daí o sonho, que não é impossível de ser realizado, desde que o sonhemos juntos e o façamos realidade. Lembra a música: “Sonho que se sonha junto…” Pois é!

Notem que estou falando não de um segundo turno qualquer, mas de um que ponha em confronto duas visões distintas para o desenvolvimento e o futuro do Brasil. Algo que simplesmente não aconteceria em um cenário Dilma X Serra. Afinal, ambos emergem das sombras de um Brasil desenvolvimentista modelo anos 70. Para eles conceitos como meio ambiente, sustentabilidade, desenvolvimento sustentável servem apenas para compor discursos politicamente corretos e vazios. Ou são encarados como “ameaças”, como no já famoso ato falho da ex-ministra chefa da Casa Civil durante a COP de Estocolmo.

Marina representa uma outra visão, uma outra realidade, um arcabouço mental distinto. Não é sem razão que ela está catalisando o apoio de uma parcela da população, até agora uns 10% em média, que deseja um modelo distinto de fazer política e, principalmente, de pensar o Brasil. A isto contribui a coerência que a candidata vem mantendo em sua vida pública, a defesa que faz de suas idéias e o distanciamento estratégico da baixaria imperante.

Mas, então, por que Dilma X Marina?  Primeiro pelo ineditismo de termos duas mulheres concorrendo ao cargo mais importante da República (e, por favor, me poupem das piadinhas sexistas de toda espécie). Isto não é pouca coisa, já que são mulheres altamente qualificadas em seus respectivos campos e com uma trajetória profissional e de vida muito acima da média.  Por si só já seria uma avanço em um país tradicionalmente machista como o Brasil, mesmo que o tema de gênero não seja um componente relevante na campanha de ambas candidatas.

Mas o mais importante será dar uma oportunidade ao país de conhecer com mais profundidade uma proposta de desenvolvimento, personificada pela Marina, que é efetivamente diferente da que a Dilma (e o Serra) representam. Mesmo que no fim a Dilma levasse a eleição, ainda assim o ambiente político emergiria diferente – e muito mais qualificado – de um embate de ideias, propostas e estilos  que apontam para diferentes modelos de Brasil.

Existe alternativa ao modelo econômico que um crescimento  extraordinário, mas que é surdo a qualquer questionamento sobre a sua sustentabilidade.

Seria uma oportunidade imperdível de mostrar que existe uma alternativa ao modelo econômico que nos últimos 16 anos levou, sem dúvida, o país a um patamar de crescimento  extraordinário, mas que é surdo a qualquer questionamento sobre a sua sustentabilidade ambiental, social e mesmo econômica, no longo prazo.

Tenho ouvido muito o argumento de que agora não seria o “momento” de a Marina ser eleita presidente e que a sua hora chegaria, como chegou a do Lula. Este ano seria o passo inicial de uma espécie de movimento coletivo que ela poderia continuar capitaneando nos próximos anos até que esteja maduro o suficiente para tomar o poder.

Pode ser. Afinal, os círculos se formam a partir de uma pedrinha jogada no lago. Mas a beleza do processo que estamos vivendo é que estes círculos não precisam se perder no horizonte. No caso da Marina, e o que ela representa, não tenho a menor dúvida de que eles se transformarão em um turbilhão. Os sinais estão todos aí: internet e mídias sociais democratizando radicalmente os processos de comunicação e mobilização, sustentabilidade se transformando em um valor inescapável em um mundo explorado além dos seus limites, empresas buscando seriamente modelos de negócio que levem em conta as demandas e necessidades da sociedade, entre outros.

Candidatos que estão à frente da disputa eleitoral são como zumbis: não sabem que suas idéias e o mundo que representam morreu.

Minha impressão é a de que estamos justamente no olho do furacão destas transformações e que, por isso, às vezes é difícil perceber para que lado vai a tempestade. Outro dia, em uma conversa com alunos da Fundação Getúlio Vargas, de São Paulo, um deles me disse que achava que os candidatos que estão à frente da disputa eleitoral são como zumbis: não sabem que suas idéias e o mundo que representam morreu. Provavelmente estarão por aí mais um pouco, mas que era questão de tempo para que dessem lugar a pessoas como a Marina, que representam uma mudança real.

A imagem é forte, sem dúvida, e talvez até um pouco exagerada e ingênua. Mas concordo com o conceito e acho realmente que existe vontade e espaço para algo diferente, politicamente mais consistente e vinculado a um futuro que garanta prosperidade, sem destruir as condições de sobrevivência do ser humano neste planeta.

Neste momento, Marina da Silva representa esta ideia, este sonho. Convido a todos que me lêem a sonhar juntos e a produzir um segundo turno, em 3 de outubro, realmente histórico. E quem sabe o tsunami verde não abala de uma vez as estruturas da política tradicional no dia 31 de outubro? É como dizia o samba da Mocidade Independente de Padre Miguel: “Sonhar não custa nada…”

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3 Respostas para “Marina e Dilma no segundo turno: oportunidade histórica de falar sobre o Brasil que queremos

  1. Oi Renato,
    Compartilho do mesmo sonho, de ver a Marina no segundo turno. Sonhar não custa nada mas é preciso contar aos outros, como você faz neste artigo. É isso aí, vamos intensificar os sonhos-ações nesta semana.
    Abração
    Rita

  2. Empolgante ler esse texto nesse momento. Compartilho da mesma ideia do autor. Tenho certeza que os institutos de pesquisa levarão um susto com o resultado dessa eleição! Força, Marineiros!

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