Conhecendo o coração da Fórmula 1

Não costumo ter sorte com sorteios e concursos em geral, mas tirei a sorte grande no começo do mês. Participei de uma competição promovida pelo Keep Walking Club, da Johnnie Walker, do qual sou sócio. Era preciso criar uma frase que eu usaria como combustível e inspiração para a vida.

Minha resposta foi escolhida como a melhor. Foi a seguinte:

“A vida é cheia de surpresas e emoções, não importa se saímos na pole position ou na última fila, quantos pit stops fazemos, se chove ou faz um sol de rachar, o que vale é saber que a bandeira quadriculada estará sempre tremulando para quem vive intensamente e busca sempre ser feliz – e fazer os outros felizes.”

O prêmio? Acesso privilegiado aos quatro dias de Fórmula 1 em São Paulo, visitando os boxes, assistindo os treinos e a corrida no Hospitality Centre da McLaren e, mais importante, batendo um papo pessoal com o piloto Lewis Hamilton, com direito a um tour no qual ele mostrou as características de seu carro e nos presenteou com um capacete autografado. Eu e os outros dois premiados (Orlando Baptista e Iuri Carneiro) ficamos uns 15 minutos conversando com o piloto inglês, muito profissional, simpático e boa gente.

Hamilton fez questão de tirar do carro um dos volantes, que mais parece um joystick de jogo eletrônico, e explicar para quê serve cada botão e alavanca –e são muitos – que controlam praticamente todas as funções do carro. O piloto lembrou que quando começou a correr, ainda criança, levou um destes volantes para casa para decorar todas as funções, que vão aumentando a cada ano. Perguntei se ele já usava os controles no automático e ele respondeu que de fato não dá tempo de pensar muito, que recebe uma orientação da equipe via rádio e tem de agir instantaneamente. 

Lewis Hamilton dá uma aula de Fórmula 1. Fonte: Diageo

Falei sobre Ayrton Senna, que completaria 50 anos de idade em 2010 e de quem Hamilton é fã confesso. Deu para notar que ele ficou emocionado e lamentou que Senna não estivesse mais vivo e que provavelmente ele estaria pelo autódromo acompanhando a corrida.

O engraçado foi quando ele nos perguntou sobre o prognóstico de tempo para a corrida de domingo, 7 de novembro, e dissemos que meteorologia previa chuva. Na hora Hamilton pegou seu IPhone na nossa frente e começou a consultar, todo preocupado, a previsão de tempo, que indicava tempo fechado, mas sem chuva. Perguntei se ele preferia pista seca ou molhada e a resposta foi pista seca, claro, mas não tão quente como estava naquele dia (uns 30 C mais ou menos). Falei que era uma boa preparação para a próxima corrida, que será em Abu Dabi.

Curiosidades da Fórmula 1
Outra coisa interessante é o fato de o carro de Fórmula 1 ser praticamente um exoesqueleto do piloto, adaptado totalmente ao seu tamanho e necessidades. Vai sendo meio que moldado ao seu corpo. Hamilton disse que a cada ano, dependendo das modificações impostas pela Federação Internacional de Automobilismo (Fia) toda a estrutura do carro tem de ser novamente adaptada ao piloto.

O peso de cada piloto também conta muito e não é sem razão que eles são tão magros, apesar de ter uma preparação física muito específica. Em condições mais extremas de calor eles podem chegar a perder até seis kilos em líquido corporal. Por isso têm de tomar uma “dieta” de líquidos isotônicos dois dias antes e durante toda a corrida. Mas Hamilton disse que muitas vezes acaba esquecendo de tomar o tal líquido. Aliás, ganhamos uma garrafinha squeeze com o isotônico que eles tomam e constatamos o que o Hamilton disse para nós: é muito ruim mesmo.

Hamilton bem que tentou explicar tudo... Fonte: DiageoOs pilotos são cheios de manias, claro. Uma historinha que ouvimos foi a de que o Jason Button, o outro piloto da McLaren, pediu uma vez que fizessem um macacão com bolsos. Quando ficou pronto perguntaram ao Hamilton se queria um parecido e ele recusou dizendo que os bolsos acrescentavam alguns gramas desnecessários à roupa. Parece exagero, mas não devemos esquecer que na Fórmula 1 centésimos de segundos podem fazer a diferença entre a vitória e o segundo lugar.

A previsão de chuva para o dia da corrida não se confirmou e o que imperou foi o sol quente, com temperatura média da pista ao redor dos 52 Celsius. Isto obrigou os pilotos e suas equipes a aplicarem suas estratégias para a troca de pneus, entre os macios e os mais duros. É uma estratégia delicada porque eles têm uma quantidade limitada de pneus para usar durante a corrida. O mesmo vale para o combustível.

Dia de corrida
O prêmio dava acesso não apenas à conversa com o Hamilton e a um tour com ele pelo Box da McLaren, mas também a assistir os treinos de sexta e sábado e à corrida desde a área VIP da escuderia. Não pude ir aos treinos porque fui padrinho de um casamento em outra cidade, mas o pessoal da Diageo (que distribui a Johnny Walker, entre outras marcas) foi extremamente simpático em permitir que indicasse amigos para ocupar o meu lugar.

No box, o ritmo é frenético para deixar tudo pronto para a corrida. Foto: Renato Guimaraes

Claro que no domingo estava lá, firme e forte. Na minha opinião, o dia lindo de sol estava perfeito para dar mais vida ao clima de festa que cerca a Fórmula 1. Chegar nas imediações do autódromo já garante um pouco  do frenesi que tom conta da multidão lá dentro. Do ponto de vista puramente racional é difícil entender que graça pode haver em ficar duas horas vendo um bando de carros girando de um lado para outro seguindo um mesmo percurso. E assistindo pela TV às vezes esta sensação fica mais forte. Mas no autódromo é diferente: o ronco do motor dos carros é gera uma sensação indescritível.

Antes de começar a corrida ainda fiz mais uma visita ao Box da McLaren. O ritmo já era totalmente diferente do da quinta-feira anterior, no tour com o Lewis Hamilton. Os mecânicos estavam já na loucura de deixar os carros prontos para a corrida que começaria em pouco mais de uma hora. Participar, de alguma forma, deste clima foi muito legal.

O passeio pelo padock, a área que fica atrás dos boxes, é outra emoção. Ali é como se fosse a coxia do teatro. Todos os atores – pilotos, mecânicos, jornalistas, celebridades e VIPs – circulando e interagindo. É como estar realmente no coração da Fórmula 1.

Foi um fim de semana especial e inesperado, já que realmente não acreditava que ganharia o tal concurso. Acho importante reconhecer o tratamento dispensado pela equipe da Diageo/Johnnie Walker, que foi excelente. O único problema agora é que depois de ter visto a Fórmula 1 por dentro e de maneira tão privilegiada, dificilmente vou ter disposição de encarar uma arquibancada nas próximas corridas. 

Vejam as fotos:

Tiradas pelo fotógrafo da Diageo: http://www.facebook.com/album.php?aid=258495&id=813754325&l=78e7f421ee

Tiradas por mim:  http://www.facebook.com/album.php?aid=258499&id=813754325&l=d1c59a0bdf

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3 Respostas para “Conhecendo o coração da Fórmula 1

  1. Renato
    Esta historia eh fantastica, parabens! Voce realmente eh um cara talentoso e mereceu essa experiencia. Keep walking and writing…
    Daudt

  2. Caro Renato, queria desejar parabéns pela premiação. Eu também estava concorrendo a esse tão glorioso premio, mas a sua frase foi a melhor, então, parabéns mais uma vez. Eu ainda tive o previlégio de ficar entre alguns colocados e ganhar uma camisa autografada pelo Hamilton que isso já vale muito. Bem só vim aqui lhe dar o parabéns. Até a próxima.

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